O Islã e o desejo de poder.


O ISLÃ E O DESEJO PELO PODER: ENTREVISTA COM RAYMOND IBRAHIM

Fonte/Source: Islam’s Will to Power: An Interview with Raymond Ibrahim – Raymond Ibrahim

O Islã e o Desejo Pelo Poder: Entrevista Com Raymond Ibrahim


De pais Coptas Egípcios e fluente em Árabe, Raymond Ibrahim está entre os estudiosos e comentaristas que, como Robert Spencer e David Horowitz, não têm medo de chamar uma espada de espada. Nesses tempos em que vivemos, envenenado pelo politicamente correto, soa como uma rajada de ar fresco.

Ele não falará do Islã como “a religião de paz”, fingindo ser algo que nunca foi. Pelo contrário, enfatizará que os jihadistas contemporâneos seguem a aplicação estrita do Alcorão, muito parecido com os reformistas protestantes com seu conceito de sola scriptura (a escritura por si só). A principal diferença é que o último geralmente não se explode, ou decapita “infiéis” ou estão comprometidos com uma luta permanente contra o Ocidente para subjugá-lo.

A razão para isso é que no Alcorão, a jihad é prescrita e Muhammad/Maomé, o exemplo perfeito para todos os Muçulmanos, foi um profeta, mas também um caudilho. Raymond Ibrahim é autor regular do David Horowitz Freedom Center e anteriormente foi diretor associado do The Middle East Forum, Raymond Ibrahim é autor do livro Crucified Again: Exposing Islam’s New War on Christianse editor do seminal The Al Qaeda Reader: The Essential Texts of Osama Bin Laden’s Terrorist Organization.


Raymond Ibrahim aceitou gentilmente responder às nossas perguntas.


A primeira questão que gostaria de abordar é a noção generalizada de que o ISIS é, de fato, um produto da intervenção dos EUA no Iraque. A implicação é muito clara. Se os EUA não tivessem invadido o Iraque, não haveria nenhum ISIS ao redor. Qual é o seu comentário sobre isso?

Ibrahim: Fatos são fatos. Antes de os EUA invadirem, Saddam Hussein era conhecido por suprimir os movimentos Islâmicos. De fato, uma das razões para sua posterior reputação de abusar dos direitos humanos foi que estava brutalmente pisoteando os jihadistas, um rótulo que os meios de comunicação Ocidentais omitem quando falam de ditadores Árabes seculares usando meios brutais, como Assad e seus esforços contra os jihadistas. Uma década depois que Saddam foi expulso, morto e os EUA proclamaram a vitória por terem trazido “liberdade e democracia” para o Iraque, tudo o que temos que mostrar é o surgimento do ISIS, que, quando se trata de abusos de direitos humanos, faz Saddam parecer um Papai Noel.

Costumo olhar para a situação das minorias Cristãs nos países Muçulmanos para entender a natureza daqueles que governam. Sob Saddam, eles e suas igrejas foram protegidos; o ano em que os Estados Unidos trouxeram “liberdade e democracia” ao Iraque, os Cristãos foram perseguidos e dezenas de igrejas bombardeadas. Aliás, não é apenas no Iraque que a intervenção Americana deu origem ao ISIS. Líbia e Síria também fazem parte do califado do ISIS, e mais uma vez, graças aos Estados Unidos pavimentando o caminho ao expulsar Gaddafi e tentar derrubar Assad. Eu não pretendo saber a razão por trás desse fenômeno, mas os fatos falam por si mesmos: onde os EUA expulsam homens fortes Árabes seculares — cujos abusos de direitos humanos estavam muitas vezes dentro de um contexto para combater ainda mais os abusos de direitos humanos que os jihadistas/ISIS seguem.

O antiamericanismo continua forte entre os esquerdistas tanto na Europa como nos Estados Unidos. Pessoas como Noam Chomsky espalharam a noção de que os EUA são a encarnação do mal junto com Israel, visto como seu proxy no Oriente Médio. Quais são os principais fatores, segundo você, por trás dessa atitude?

Ibrahim: Em última análise, acredito que essas opiniões se baseiam menos em fatos objetivos e mais em distorções subjetivas da história. A visão dominante hoje é que, pelo menos historicamente, homens brancos e Cristãos são a fonte de todo o mal no planeta Terra; Portanto, o mínimo que podem fazer por meio de reparações é serem passivos, enquanto Muçulmanos e outros do terceiro mundo convivem com seus tormentos crescentes — que se manifestam nas atrocidades contra os não-Muçulmanos, incluindo Ocidentais. Assim, sempre que os EUA ou Israel fazem qualquer coisa para defender seus interesses e a segurança, o qual deveria considerado absolutamente normal e padrão para outras nações, especialmente as não-Ocidentais, a esquerda chora injustamente, racismo, etc.

Os apologistas do Islã nos dizem que o Islã é uma parte muito importante do Ocidente, pois ajudou a moldar nossa cultura com suas inovações quando ainda era um império. Aqui na Itália um renomado historiador, Franco Cardini, disse recentemente que “o Islã está na base da modernidade”. Qual é a sua opinião pessoal?

Ibrahim: Esse ponto de vista é apenas mais um exemplo de como a verdadeira história do Islã e da Europa foi tão profundamente distorcida e deformada visando glorificar o Islã e humilhar a Europa anteriormente Cristã. A realidade e a história — como registradas pelos historiadores mais renomados do Islã — têm uma história muito diferente a contar, uma história que é conhecida pela criança mediana Europeia, mas que agora virou “tabu” reconhecer isto: a guerra ou a jihad na Europa é a verdadeira história do Islã e do Ocidente. Considere alguns fatos por um momento: Uma década após o nascimento do Islã no século 7, a jihad explodiu fora da Arábia. Dois terços do que era então a Cristandade foram conquistados permanentemente e grande parte de sua população foi posta à espada e/ou pressionada a se converter, de modo que quase ninguém percebe hoje que a Síria, o Egito e toda a África do Norte foram os centros do Cristianismo. Depois foi a vez da Europa. Entre outras nações e territórios que foram atacados e/ou estavam sob a dominação Muçulmana são — dando os seus nomes modernos, mas não necessariamente nesta ordem: Portugal, Espanha, França, Itália, Sicília, Suíça, Áustria, Hungria, Grécia, Rússia, Polônia, Bulgária, Ucrânia, Lituânia, Roménia, Albânia, Sérvia, Arménia, Geórgia, Creta, Chipre, Croácia, etc.

Em 846 Roma foi saqueada e o Vaticano contaminado por invasores Árabes Muçulmanos; Cerca de 600 anos depois, em 1453, a outra grande basílica da Cristandade, a Santa Sofia (ou Hagia Sophia) foi conquistada permanentemente pelos Turcos Muçulmanos. As poucas regiões Europeias que escaparam da ocupação Islâmica direta, devido ao seu afastamento à noroeste incluem a Grã-Bretanha, Escandinávia e Alemanha. Isso, naturalmente, não significa que não foram atacados pelo Islã. Na verdade, no extremo noroeste da Europa, na Islândia, os Cristãos costumavam rezar para que Deus os salvasse do “terror Turco”. Até 1627 corsários Muçulmanos invadiram a ilha Cristã capturando quatrocentos cativos, e os vendendo nos mercados de escravos da Argélia. Nem a América escapou. Poucos anos após a formação dos Estados Unidos, em 1800, navios mercantes Americanos no Mediterrâneo foram saqueados e seus marinheiros escravizados por corsários Muçulmanos. O embaixador de Trípoli explicou a Thomas Jefferson que era um “direito e dever dos Muçulmanos fazer guerra contra os [não-Muçulmanos] onde quer que pudessem ser encontrados e escravizar tantos quantos pudessem tomar como prisioneiros”. Cerca de um milênio — pontuado pelas Cruzadas —refutação que o Ocidente moderno está obcecado em demonizar — o Islã diariamente representou uma ameaça existencial à Europa Cristã e, por extensão, à civilização Ocidental. Neste contexto, do que adianta destacar as aberrações? Mesmo aquela exceção periférica que tantos acadêmicos Ocidentais tentam usar como regra — a Espanha Islâmica – foi recentemente desmentida como fraude no livro de Dario Fernández-Morera — The Myth of the Andalusian Paradise.

O Islã se apresenta como a verdadeira e definitiva religião da humanidade. O Judaísmo e o Cristianismo na visão Islâmica são vistos como profundamente defeituosos e corrompidos. De acordo com o Islã, o profeta Muçulmano Jesus virá no Dia do Juízo Final para destruir todas as cruzes e expor a falsidade do próprio Cristianismo. Não obstante, o Papa continua chamando o Islã de religião de paz e o apresenta somente sob uma luz favorável. De acordo com você, é apenas prudência política ou algo mais?

Ibrahim: Este papa enxerga a si mesmo como diplomata e político, não como um líder espiritual, e certamente não como defensor dos Cristãos. É uma pena, uma vez que em toda Europa, historicamente foram os papas Católicos que mais compreenderam os perigos do Islamismo — físico e espiritual — especialmente para os irmãos Cristãos. No entanto, ele se recusa firmemente associar o Islã à violência. Mesmo quando um jornalista o perguntou se o padre Francês de 85 anos, Padre Jacques, recentemente assassinado, foi “morto em nome do Islã“, Francis discordou veementemente; argumentou que ouve falar de Cristãos que cometem violência todos os dias na Itália: “Aquele que assassinou sua namorada, outro que assassinou a sogra… e esses são batizados como Católicos! Há Católicos violentos! Se falo de violência Islâmica, devo falar de violência Católica. “Aparentemente, para o Papa Francisco, a violência feita de acordo com os mandamentos de Alá não é mais preocupante do que a violência feita em contradição com os mandamentos do Deus Judeu-Cristão.

Por essa lógica perversa, se responsabilizamos o Islã, então devemos responsabilizar o Cristianismo — independentemente do fato de que o Islã justifica a violência enquanto o Cristianismo a condena. E quando se encontrou com os familiares e os sobreviventes do Dia da Bastilha — outro ataque Islâmico que custou a vida a 86 e feriu centenas — disse: “Precisamos iniciar um diálogo sincero e ter relações fraternas entre todos, especialmente com aqueles que acreditam num único Deus que é misericordioso”, uma referência aos Muçulmanos monoteístas. Acrescentou que isso era “uma prioridade urgente… Só podemos responder aos ataques do Diabo com as obras de Deus, que são o perdão, o amor e o respeito pelo outro, mesmo que sejam diferentes.” Esta é certamente uma abordagem diferente da do seu corajoso homônimo. E também é fútil o vis-à-vis com o Islã, o qual só vai tirar proveito. Como alguém pode ter “relações fraternas” com adeptos de uma religião que exorta o ódio a todos os não-Muçulmanos, incluindo seus membros familiares e esposas? Mesmo o Alcorão 60:4, exorta os Muçulmanos ao “ódio eterno” a todos os não-Muçulmanos.

Alguma chance do Islã acomodar-se aos valores Ocidentais, e se isso for possível, com que base?

Ibrahim: Para que o Islã possa acomodar os valores Ocidentais, primeiro terá de deixar de ser o Islã. Inúmeras formas de comportamento que antagonizam diretamente os valores Ocidentais são exigidas no Alcorão e/ou Hadith, e os ulemás, estão de acordo: morte aos apóstatas e blasfemos, subjugação de mulheres Muçulmanas, escravização sexual de mulheres não-Muçulmanas, poligamia, casamento com crianças, banimento e destruição dos locais de culto não-Muçulmanos e suas escrituras, e a inimizade com os não-Muçulmanos — não são menos Islâmicos do que a oração e o jejum.

Mesmo as atrocidades do Estado Islâmico — tal como triunfando sobre os corpos mutilados de “infiéis” e sorrindo enquanto posam com as cabeças decapitadas — encontram apoio no Alcorão e nas histórias do profeta. Para examinar profundamente o quanto o Islã antagoniza diretamente os valores Ocidentais, considere as descobertas de um artigo em língua Árabe do Dr. Ahmed Ibrahim Khadr. Ele lista uma série de coisas que a corrente principal Muçulmana apoia, mesmo contradizendo diretamente os valores Ocidentais. A lista inclui (sem surpresa): demandas para um califado regido de acordo com a Sharia e que se expanda sobre o território “infiel” através da jihad; Morte para qualquer pessoa vocalmente crítica do Islã ou Muhammad; perseguição de Muçulmanos que tentam deixar o Islã; rejeição da igualdade para Cristãos e Judeus num estado Muçulmano; rejeição da igualdade entre mulheres e homens; e assim por diante.

Qualquer um que entenda como o Islã é realmente articulado, sabe que a afirmação de que é “possível ser um liberal Ocidental pertencente à principal corrente Muçulmana”, como o prefeito Muçulmano de Londres disse recentemente, é um oxímoro grotesco. É o mesmo que dizer que é possível ajustar uma cavilha quadrada através de um buraco redondo. Não funciona — a não ser, é claro, que alguém o force com um martelo, quebrando partes da cavilha, ou seja, o Muçulmano ou destruindo a superfície do buraco, isto é, a sociedade Ocidental.

O Islã é um sistema religioso político desde a sua criação. Você subscreveria a noção de que é realmente uma ideologia com um revestimento religioso, ou há algo realmente religioso sobre ele? Estou pensando nos místicos Islâmicos e nos Sufis, por exemplo.

Ibrahim: Em última análise, não importa: mesmo que tenha um revestimento religioso envolvido, é certamente uma ideologia política, especialmente no período inicial. Quando olhamos a vida de seu fundador, o profeta Muhammad, tudo isso fica simplesmente claro. Quando era meramente um pregador impotente em Meca, só tinha um pequeno grupo de seguidores; quando foi para Medina e se tornou um caudilho e bandido de caravanas — e quando seus seguidores começaram a enriquecer com as pilhagens — suas fileiras começaram a inchar.

Muitas são as recompensas mundanas, incentivos e privilégios — para não falar das recompensas “mundanas” (sexo com mulheres sobrenaturais) no futuro — que recebem por ser um Muçulmano: se você luta pelo empoderamento do Islã contra os não-Muçulmanos então pode mentir, enganar, matar, roubar, escravizar e estuprar. Inúmeros são os Muçulmanos, passado ​​e presente, que se juntaram ao movimento Islâmico precisamente por essas prerrogativas. Dito isto, acredito que alguns Muçulmanos tentam transformar o Islã em algo mais espiritual por causa própria. Mas, isso não muda o fato de que outros o usam pelo seu propósito original de conquista e saque.

Uma das declarações mais repetidas sobre o terrorismo Islâmico é que ele é um produto de vários grupos fanáticos. A maioria dos Muçulmanos são moderados e nunca irão sair por aí decapitando pessoas ou explodindo a si mesmos. Essas evidências são conclusivas?

Ibrahim: Sim e não. Pode ser verdade que muitos Muçulmanos não querem decapitar pessoas ou detonar-se, mas isso é porque não estão comprometidos ou interessados ​​no Islã além do básico para a sobrevivência. No entanto, é errado pensar que “o terrorismo Islâmico é…. produto de vários grupos de fanáticos”. O terrorismo é na verdade um produto do Alcorão e do exemplo do profeta — as duas coisas que todos os Muçulmanos são obrigados a seguir. E enquanto esses dois pilares do Islã existirem, terão adeptos, mesmo que a maioria dos nomeados Muçulmanos — que não se atreve a apostatar devido à pena de morte do Islã — não o siga literalmente.

O Islã tem sido profundamente dividido em si mesmo a partir da morte de Muhammad em 632. Parece que a guerra e os conflitos são inatos no mundo Muçulmano. Você concorda?

Ibrahim: Sim. Talvez o aspecto mais definidor do Islã seja a busca do poder absoluto — poder sobre todos os outros, sejam eles infiéis, mulheres, os tipos errados de Muçulmanos, ad infinitum. Assim, e apesar de algumas das suas imposições contra, por exemplo, matar Muçulmanos, os Muçulmanos massacraram e continuam massacrando uns aos outros, em nome do Islã.

Podemos dizer que o wahhabismo está no cerne do jihadismo Islâmico contemporâneo, ou é um ponto de vista reducionista?

Ibrahim: Podemos dizer isso, mas seria muito mais preciso dizer que uma leitura literal dos principais textos do Islã “está no cerne do jihadismo Islâmico contemporâneo”. Afinal de contas, isso é o que significa “Wahhabismo”. Aliás, nenhum Wahhabi chama ou vê a si mesmo como um Wahhabi, — uma palavra usada com frequência no Ocidente para distanciar o Islã da violência e da intolerância — veem a si mesmos simplesmente como Muçulmanos que literalmente modelam suas vidas através dos ensinamentos de Muhammad/Maomé e Alcorão.

Qual é a sua opinião sobre a aliança de longa data entre os EUA e a Arábia Saudita, que está entre os mais estritos estados wahhabitas. A realpolitik justifica tudo?

Ibrahim: Eu acho que é uma aliança repugnante e vergonhosa que transforma tudo o que os EUA representam em piada. Além disso a realpolitik não é a raiz do problema. Afinal, os EUA e todo o mundo livre poderiam facilmente colocar a Arábia Saudita de joelhos e forçá-los a uma reforma ou então seu petróleo poderia ser apreendido — e na verdade deve, visto que, com essa receita, a Arábia Saudita gasta 100 bilhões anualmente radicalizando Muçulmanos em todo o mundo, tal como a sua criação, o ISIS. O conhecimento da Arábia Saudita sobre tudo isso é uma das principais razões pelas quais pagam milhões aos políticos Ocidentais entre outros, que em troca se postam diante dos Ocidentais e falam da Arábia Saudita como um “aliado fiel”, cuja ajuda na “luta contra o terrorismo” é ” indispensável”.